A parte que falta

O livro infantil “A parte que falta” ou o original “The missing piece” viralizou quando a Jornalista e Vlogueira brasileira Jout Jout em um de seus vídeos no Youtube (link aqui embaixo) conta a história de um Ser Circular que que nao esta completo e percorre o mundo em busca da parte que lhe falta, ele acredita que so sera feliz quando estiver completo. Apesar do livro ter o formato que parece ser para o publico infantil ele traz uma mensagem que causa sintonima no publico adulto, ja que esse compreende a profundidade do que esta lendo. O livro é brilhante ao falar de nossa eterna insatisfação em preencher os vazios de toda maneira, e não nos permitir de viver com nossas limitações, vazios e faltas. A incompletude é o que move o ser humano a buscar algo, o que nos motiva não é a felicidade final e sim a sua busca, essa aspiração diária. Estamos sempre em busca de algo e isso faz a vida ser interessante. Espaços/faltas são gerados de tempos em tempos para que possamos preenchê-los e para que com o tempo novas faltas surjam e possamos preenche-las, a vida vai se equilibrando na falta e na completude. Vivemos um momento em que há o estímulo para que nada falte. Vivemos um tempo em que “temos” que produzir o tempo inteiro, ter namorado(a), casar, filhos(as), ter mestrado, doutorado, fazer intercâmbio, ter uma boa casa, carro, se ocupar, viajar, se medicar quando estamos tristes e ser feliz. Feliz o tempo todo, ter uma vida inabalável e de descartabilidade daquilo tudo o que não nos vai bem. Como se a felicidade estivesse nos diversos objetos do mundo, para além de nós mesmos e pudesse ser vivenciada a todo instante. E nesse turbilhão onde não há tempo para apreciar as pequenas [e grandes!] coisas da vida, não há ócio, não há o debruçar-se em nossos sentimentos mais íntimos, olhar para as escolhas que fazemos na vida e até mesmo para quem somos, ficamos sem tempo para o nosso ‘EU’. O personagem principal em sua momentânea completude, vê a vida passando muito rápido.... sem ter como sentir o aroma de uma flor, sem contato com a borboleta que ele gostava tanto e não podia sequer cantar, abrindo mão desse estado para voltar a ser faltante. Ah… e como a falta muda as coisas, não!? Você já parou para pensar nisso? Será que não estamos vivendo compulsoriamente e com a ilusão de completude? Não estamos rolando rápido demais sobre as coisas da vida? Não estamos nos concentrando em instâncias atemporais que não podemos controlar como passado e o futuro e deixando de viver o presente com suas faltas e buscas? Os ‘objetos sociais’ nos estimulam o afastamento da nossa verdade individual e, quando surge um vídeo como esse, somos obrigados a olhar para dentro. Olhar a nossa falta, aquela a qual não há parte que complete. Faltas e pausas são tão importantes como as completudes e as resoluções de qualquer situação. Tudo é um ciclo. A vida requer intervalos, nenhuma árvore dá fruto o ano todo, nenhuma planta floresce em todas as estações. De-se tempo, faca pausas, se permita ter faltas. Deixo aqui o link para que possam assistir o video da Jout Jout. (vale muito a pena) e permita-se chorar tbm.


Caroene Santos Murray

Psicologa Clínica – Adulto e infantil Psicóloga Perinatal e do Puerpério Livro: ‘A parte que falta’ – ‘the missing piece’ (Shel Silverstein) Fonte complementar: “Vittude blog”